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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Depois de relembrar época do rock na Alameda, Blumen Festival volta de casa nova

Blumen Festival levou o rock de volta para a Alameda. (Divulgação)
Passou quase um ano desde a última edição do Blumen Festival. Sem comemoração, o evento fez aniversário em fevereiro e agora estreia casa nova. Como em toda despedida, ficam as lembranças: foram seis edições realizadas dentro do Grêmio Esportivo Olímpico, localizado na Alameda Rio Branco, ela mesma palco de festivais nos anos 1980 e 1990. Conversamos com organizadores, público e músicos para saber como era quando o rock parava uma das ruas mais nobres de Blumenau.

“A ideia mesmo de fazer o festival foi quando fui no Skol Rock que veio Mamonas Assassinas. Ficou gravado na minha cabeça essa época do Skol Rock, desse trabalho de bandas, essa divulgação, esse festival…”, revela Bruno Pontes, organizador do Blumen Festival. Na verdade, o histórico show na Prainha é o ponto alto de eventos que começaram nos anos 80.


O Blumenália surgiu em 1981 como parte de uma estratégia para tornar Blumenau um polo cultural. Reunia música, teatro, poesia e artes plásticas em pelo menos duas edições por ano. “[Era realizado] Quando dava”, conta Nico Wolff, que participou como espectador e músico.

Segundo depoimentos para o DVD “Blumenália 30 anos”, os eventos não só incentivaram o surgimento de novas bandas, como ajudaram a divulgar e melhorar as que já existiam. “O pessoal ia lá, via o show, gostava e no dia seguinte tava comprando instrumento e montando banda”, disse Bill Scheppers, baixista da banda Grifo e organizador do Blumenália.

O contato com artistas locais e nacionais, como Belchior, Capital Inicial, Nenhum de Nós e Expresso Rural, “foi muito interessante para ter o intercâmbio de músicos, ideias, instrumentos… Nós tínhamos instrumentos verdadeiramente artesanais”, comentou Marco Antônio Cornetet, o “Quinho”, guitarrista e tecladista da banda Grifo.

Além da Alameda Rio Branco, onde chegaram a se reunir 5 mil pessoas, o festival passou por alguns bairros, FURB, PROEB (hoje Vila Germânica), Prainha, rodoviária e até um palco foi montado dentro do Rio Itajaí-Açu. “Para nós que tínhamos as bandas sempre era um momento muito esperado, afinal era o espaço que tínhamos para nos apresentar na cidade e para um grande número de pessoas”, lembra Charles Schwanke, baixista da banda A Folha.

Nico e Fabrício Wolff falam sobre a organização do Rock na Rua.

O Blumenália acabou em 1991, deixando as bandas da região sem lugar para tocar. Foram dois anos até que os irmãos Nico e Fabrício Wolff resolveram organizar um evento na Alameda. Era o começo do Rock na Rua. O festival acontecia a cada dois meses, percorrendo diversos bairros e atraindo em média 3 mil pessoas.

Uma delas era Sandra Maria Alves. “Fui em todos. Nunca os esqueci. Lembro que tinha uma banda de meninos, que faziam cover do The Cure. Era igual. Fora as atrações de fora. Infelizmente não temos mais esses festivais. Era demais. Tinha gente sentada no meio-fio… Todo mundo se abraçava e cantava junto. Vlad V, Grifo, Jackson e Cia... Havia muitas bandas de Blumenau. Era uma confraternização. Gente que nem se conhecia fazia amizade. Eu ficava do começo da tarde até a noite.”

Nos bastidores, o clima também era bom. “Sempre havia respeito com as bandas. Até tivemos problemas, mas cada um assume o que faz”, conta Nico Wolff. Era grande o interesse em tocar no Rock na Rua e a organização tentava dar oportunidade a todos. “Mesmo as bandas que ficavam de fora tocavam em outro evento. Não deixávamos ninguém 'desamparado'. Tentamos encaixar nos eventos. Eu sou músico. Sei das dificuldades, dos anseios”, afirma Nico, que além de ter organizado o festival também cantava na banda Ambos Os 2.

O Rock na Rua parou de ser realizado em 1996, mas as bandas não ficaram órfãs porque já existia o Skol Rock, citado no começo da reportagem. Quase 20 anos se passaram e Rock na Rua voltou em junho deste ano. Foram duas edições: uma no Centro e outra na Itoupava Norte. Ainda sem previsão de passar pela Alameda.

Mudança para evitar problemas

Espaço ArtSul, próximo à Teka, na Itoupava Norte. (Divulgação)
Depois de cerca de 10 anos trabalhando na noite de Blumenau, Bruno Pontes sentiu que precisava criar um evento para impulsionar as bandas locais, junto com artistas nacionais. “Foi aí que veio o (nome) Blumen (Festival) pra gente começar a encaminhar, não um novo Skol Rock, mas esse projeto novo”, conta Pontes, um dos organizadores, ao lado do famoso DJ Kbeça.

De novo, a Alameda Rio Branco foi palco do rock blumenauense, mas dentro do Grêmio Esportivo Olímpico. Além do acesso fácil e da tradição, o clube foi escolhido porque Bruno Pontes é filho do presidente e conhece bem o lugar. “Eu passei muito tempo aqui. Eu não achei outro local melhor”.

Pontes não conhece a história dos Blumenálias e dos Rocks na Rua. “Sinceramente, eu lembro da época que o pessoal se juntava na Alameda pra ligar os carros, o som e se encontrar aqui na Alameda. Acho que eu tinha 3 ou 4 anos. E depois quando meu pai fazia uns eventos do Olímpico na Alameda. Parava a Alameda e fazia campeonato de patins, skate ou só mesmo pro pessoal ter um lazer. A época de bandas eu não sou muito conhecedor. Não lembro muito, mas eu sei que existiu e era bem legal.”

Após um ano em silêncio, o Blumen Festival sai do Olímpico em 2015. Segundo Bruno Pontes, a mudança para o espaço ArtSul, na Itoupava Norte, deve evitar reclamações de vizinhos por causa do som alto e outros problemas que fizessem o evento acabar mais cedo. Porém, a troca de lugar atrapalhou planos de aumentar o número de bandas e dias. “O festival passou por uma reformulação e a gente achou melhor manter essa 'essência de casa'”. Não vai mais acontecer essa evolução pra gente ter uma base de uns 15 festivais pra depois pensar em crescer mais”, revela Pontes.

A 7ª edição do Blumen Festival acontece neste sábado (21). Oito atrações agitam a galera a partir das 13h: Filipe Burgonovo, Project Pure (rock alternativo dos anos 2000, clássicos do rock e versões de sucessos dos anos 80), Nova Veneza (reggae), Seven Hands (grunge/rock alternativo/sucessos do rock dos anos 90 e 2000), Karrie King (clássicos do rock internacional dos anos 60-90), Dz6 (tributo ao Charlie Brown Jr.), Novos Vintages (clássicos do rock dos anos 50-70) e Dazaranha. Ingressos antecipados à venda por R$ 15. (Saiba onde comprar.) Na hora do evento, o valor sobe para R$ 25. Além de música, haverá feira de vinis e food truck.

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